Talvez resida aí nesse item o maior susto que levamos em toda a história do Clube D. Pedro II.
     Susto e preocupação!
     Quando Fernando Fagundes Netto (Presidente) resolveu e toda a sua Diretoria aprovou a construção das piscinas, imediatamente fomos atrás dos indispensáveis recursos financeiros, considerando ser esse o primeiro passo a ser dado.
     Em caixa não havia reserva alguma, como atestavam os balancetes muito bem elaborados pelo tesoureiro de então, o dedicado Luiz Gonzaga Pereira da Silva. Quinhões à venda também não estavam disponíveis e, se fossemos pleiteá-los em Assembléia, muito tempo levaríamos, já que a nossa disposição para realizar essa obra era muito grande.
     Qual o melhor e mais rápido caminho a seguir?
     Optamos pelo empréstimo bancário e pedido simultâneo à Assembléia para uma emissão de 80 novos títulos de sócio proprietário, o que foi autorizado.
     Fernando e eu fomos ao bom amigo José Tostes de Alvarenga Filho, então Diretor do Banco de Crédito Real de Minas Gerais, levar-lhe o nosso pedido e expor-lhe as pretensões do Clube.
     Prontamente aquiesceu em colocar à disposição do D. Pedro a importância necessária para as obras pretendidas e por nós desejadas.
     Apenas uma exigência de rotina bancária foi feita: queria o aval na promissória de toda a Diretoria do Clube. Levamos esse detalhe aos companheiros diretores e nenhum deles se recusou a assumir tal responsabilidade solidariamente.
     Assim, uma nota promissória (cujo valor não me recordo) foi feita a favor do Credireal e, um enorme apenso foi acrescido à mesma, com os avais de todos os diretores da época.
     Fato curioso aí ocorreu: havia necessidade de ser feita a ficha cadastral também de todos os diretores e, numa demonstração de elevado espírito de equipe, dois diretores ainda jovens e iniciando suas vidas profissionais, na declaração de bens, disseram ser proprietários somente de “uma raquete de tênis, importada, da marca Maxply” e o outro de uma “caneta da marca Parker 51”!
     São fatos autênticos que poderão ser comprovados pelo Fernando Fagundes, Carlos Henrique, Rubens Vasconcellos, José Dantas e outros companheiros da época, caso você meu caro leitor, entenda ter o episódio um pouco de exagero do escriba... Pena é que o dono da raquete Maxply já não mais viva entre nós para confirmar o acima escrito... Entretanto, o dono da caneta Parker 51, o José Dantas graças a Deus, ainda convive conosco diariamente!
     Com a garantia bancária dos recursos necessários às obras e a promessa de tantas renovações na promissória quantas fossem preciso, já que as vendas dos quinhões seria facilitada em seus pagamentos, partimos para uma rápida “tomada de preços” e assim, algumas cartas-convite foram expedidas a umas poucas construtoras da cidade para apresentarem suas propostas de preço e prazo previsto para a obra.
     Tais propostas chegaram mais depressa do que esperávamos e após serem devidamente analisadas pela Diretoria em conjunto com a soberana Comissão de Construção, foi feita a opção pela Cia. Construtora Pantaleone Arcuri, embora com preço um pouco mais alto do que as demais.
     Poucos meses depois constatamos o acerto e a sabedoria de nossa escolha, muito embora tenhamos amargado o dissabor de uma contundente nota oficial de protesto na primeira página do Diário Mercantil, feita e assinada pelos não escolhidos ou, usando expressão dos dias de hoje, pelos “excluídos”!
     Muito contrafeitos tivemos de refutar as alegações dos preteridos, em nota oficial do Clube, também na primeira página do Diário Mercantil, não aceitando de forma alguma as alegações e, principalmente a expressão por eles usada de “malsinada piscina” embora nem iniciada estivesse sua construção.
     Tratava-se apenas do nosso livre direito de escolha, uma vez que, não se caracterizava uma concorrência e, como tal, foi por eles aceito o critério por nós adotado.
     Ocorreu o famoso “jus esperniandi”, assegurado aos que têm seus interesses contrariados...
     Mas, voltemos um pouco no tempo.
     Escrevemos aqui nestas notas, que o Clube demonstrou grande acerto e sabedoria na escolha feita da Cia. Pantaleone.
     Eis os fatos que justificaram plenamente a escolha!
     Com as duas piscinas já concluídas, isto é, azulejadas, foi iniciado o seu enchimento. Faltavam somente as obras complementares em torno das mesmas (piso), uma vez que as bombas e filtros de tratamento da água, já estavam comprados na firma Acquazul, do Rio, então uma das mais conceituadas do Brasil e que aguardava o nosso “sinal verde” para vir instalar o equipamento. Aí veio o nosso grande susto e quase desespero... Constatou-se que a piscina grande estava sofrendo um “afundamento (recalque) acentuado” e o nível da água em relação à última fileira de azulejos colocados, apontava um desnível de mais de 15 centímetros!
     Na piscina de crianças então, o fato era muito mais grave.
     Com as explicações recebidas da construtora, foram iniciados às suas expensas exclusivas, os reparos necessários. A piscina infantil foi totalmente desmanchada e outra nova foi feita em seu lugar, agora, porém, apoiada em profundas estacas.
     A parte rasa da piscina grande foi desaterrada em sua volta e, grandes macacos hidráulicos emprestados pela Central do Brasil, conseguiram reerguer a sua estrutura e restabelecer o nível correto.
     Algumas estacas também aí foram cravadas e novos blocos de concreto foram fundidos e apoiados nas mesmas, dando a sustentação necessária à piscina de adultos, que não mais apresentou qualquer problema.
     Será que qualquer das outras construtoras preteridas assumiria essa enorme responsabilidade, sem ônus algum para o Clube como fez a idônea e tradicional Pantaleone Arcuri?
     Talvez o fizessem...
     Repudiamos a expressão “malsinada”, usada naquela época, como a repudiamos ainda hoje, pois a despeito da trágica, grave e tenebrosa previsão, nada que a justificasse, felizmente aconteceu.
     Apenas um tombo levado por uma desatenta criança, filha do saudoso associado Dr. Pedro Peters, proporcionou-lhe um ferimento no braço, estando a piscina ainda vazia e ainda por inaugurar. Outro episódio ocorreu quando o nosso associado Dr. Renato Loures, pulando do trampolim existente, o fez de certa forma desatenta, caindo sobre o saudoso amigo e bom colaborador do Clube, Sr. Nilton Maisonete, que nadava tranqüilamente, fraturando-lhe o braço.
     Finalmente, no dia 12 de janeiro de 1963 foram inauguradas as piscinas com banda de música e a presença de inúmeras autoridades locais.
     Houve ainda a apresentação de um belíssimo “show” de balé aquático gentilmente proporcionado pela competente equipe do nosso co-irmão Sport Clube de Juiz de Fora.


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